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Ilhas sem coleta de lixo e rede de esgoto - Projeto Catamor na Maré da ONG Amigos de Belém promove ação de limpeza no Combu.

Belém é um arquipélago. São 42 ilhas. Milhares de famílias ribeirinhas experienciam um estilo de vida baseado na relação direta com a natureza. Mas o bucolismo aparente esconde uma situação alarmante. Exceto os distritos de Belém, nenhuma das ilhas da capital conta com coleta de lixo ou rede de esgoto. Em busca de denunciar a dimensão desse problema social e ambiental e debater soluções coletivas junto aos ribeirinhos, a ONG Amigos de Belém promove no dia 15 de junho a ação Catamor na Maré, que vai reunir voluntários para recolher resíduos nas mediações da ilha do Combu.

Em visita preparatória do projeto, a equipe da ONG Amigos de Belém esteve no Furo do Maracujá, comunidade da ilha do Combu, no dia 30 dia abril, e no restaurante Saldosa Maloca dia 09 de maio, e constatou um diagnóstico alarmante. Parte do lixo é queimado e há acúmulo das garrafas de vidro - muitas delas acabam dentro do rio. Em busca de reduzir os danos, alguns donos de restaurantes relatam que entregam as garrafas para as Marinas.

Moradores destacaram que o projeto Luz para Amazônia detectou, a partir de exames laboratoriais na água da ilha, a presença de patógenos e que muitas crianças estariam infectadas com verme.

O lixo que se acumula na ilha também é de Belém, se concentrando nos furos, e quando a maré seca, os resíduos se acumulam, atraindo urubus. Além disso, o lixo causa prejuízo econômico ao danificar as hélices das embarcações dos ribeirinhos.

Ação coletiva

Com o apoio do Fundo Sócio Ambiental Casa, e parceria com praticantes de esportes náuticos, lideranças da comunidade do Combu, representantes das marinas e restaurantes à beira-rio em Belém, a ação da ONG Amigos de Belém vai percorrer o rio do Maguari e restaurantes do Combu. Em um desdobramento do projeto, a coleta de lixo também será realizada na praia de Joanes, no Marajó, por um grupo de voluntários parceiros, no dia 16.

Os resíduos serão encaminhados para o “Lixômetro”, que vai mensurar a quantidade de material recolhido nas três áreas. Os resíduos serão destinados à Associação de Catadores Filhos do Sol, de Belém.

Além da coleta, o projeto vai orientar sobre quais são os materiais recicláveis e sensibilizar sobre a importância do processo de compostagem junto aos restaurantes. A organização e as lideranças locais irão cobrar soluções do poder público para ações de saneamento e destinação dos resíduos da comunidade a partir da elaboração e execução do Plano de Manejo das Ilhas.

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“O nosso propósito é avançar em relação à gestão de resíduos sólidos no estado do Pará, pois temos mais de 300 lixões que precisam ser identificados e remediados, onde a solução passa pela coleta seletiva, compostagem, pela sensibilização na diminuição da geração de resíduos e melhoria das condições dos aterros sanitários”, destaca Paulo Pinho, doutor em Ciências Ambientais e presidente da ONG Amigos de Belém.