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Patrulha Ambiental da Pesca - Associação Homens do Mar da Baía de Guanabara (AHOMAR)

A Baía de Guanabara no Rio de Janeiro possui por volta de 380 Km², 55 rios e riachos que a alimentam a Baía, 02 Unidades de Conservação Federal e outras Municipais divididas nos municípios que margeiam a Baía. Em alguns desses locais ainda é possível encontrar águas em boa qualidade e de grande importância para o ecossistema marinho como os manguezais, dos quais restam apenas 82 Km² hoje. O ecossistema da Baía serve de abrigo para dezenas de espécies botânicas, dentre eles, peixes e crustáceos, fontes de alimentação e renda para milhares de famílias que vivem e pescam nos 07 municípios que banham a Baía de Guanabara.

Dentre os diversos problemas socioambientais da região, destacam-se as áreas industriais - portos, piers, terminais marítimos, refinarias - áreas de fundeio clandestinas; atividades intensas de off-shore; lixos e poluentes flutuantes nas embocaduras de rios; e saídas de corpos hídricos onde há atividade industrial afetando e comprometendo a qualidade das águas do ecossistema marinho da Baía e, consequentemente, causando um grande impacto negativo na qualidade e no quantitativo do pescado da região realizado de forma artesanal por várias comunidades tradicionais pesqueiras. Mesmo em meio a tantos problemas, a fauna e a flora da Baía são exuberante, os manguezais e o seu patrimônio ecológico ainda estão preservados, em grande parte, por aqueles que vivem em suas margens e de lá tiram o seu sustento.

É neste contexto, que a Associação Homens ao Mar da Baía de Guanabara (AHOMAR) representa oficialmente um pouco mais de 4.200 famílias de pescadores, ribeirinhos e catadores de crustáceos da Baía de Guanabara com o intuito de cuidar e proteger o seu ecossistema e, consequentemente, garantir a fonte de renda dessas famílias. Além disso, o trabalho da Associação na comunidade democratiza as oportunidades através da mobilização de um maior número de pescadores e pescadoras, junto aos movimentos e associações comunitárias.

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A AHOMAR atua diretamente nas bases, praias, ilhas, ilhotas e rios, e assume o dever de denunciar crimes ambientais e sociais que ocorrem, muitas vezes, diante do poder público. A Associação, através da Patrulha da Pesca, realiza a apuração e constatação, em tempo hábil e com rapidez, de denúncias que ocorrem em lugares até então inalcançáveis, dando visibilidade aos problemas socioambientais junto ao poder público mesmo sofrendo ameaças, represálias e atentados que, muitas vezes, trazem risco iminente de morte.

Na aproximação feita com as comunidades tradicionais são colhidos materiais fotográficos, depoimentos e documentos, que baseiam as denúncias feitas pela Associação. Além disso, a AHOMAR realiza reuniões e assembleias em praias e comunidades diversas na Baía de Guanabara e como resultado já conseguiram que canteiros de obras fossem fechados, que lixões fossem interditados, além de outras obras poluidoras e agentes públicos sendo investigados.


Ainda assim, o descaso das indústrias e empresas petrolíferas de off-shore, responsáveis pelas obras causadoras de impactos negativos ao meio ambiente, principalmente para a pesca artesanal, tem como consequência uma redução comprovada de mais de 80% da captura do pescado. Para além disso, está também a poluição constante, por conta das dragagens ilegais; lançamentos de chorumes, pinturas e lavagens de porões de navios e rebocadores; e vazamentos inúmeros de dutos de gás e óleos, causando a morte de peixes por contaminação química. Somado-se a isso, manobras de grandes embarcações são feitas em áreas proibidas por lei para este fim (áreas de baixio); ameaças e disparos de armas de fogo, oriundas de seguranças em sede de terminais e piers da Petrobras na Baía de Guanabara; repressão excessiva de militares da marinha do Brasil contra pescadores artesanais, ribeirinhos e comunidades tradicionais que de lá vivem e tiram seu sustento.

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Sobre Laura Gurgel