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Andar a Pé - O Movimento da Gente

Ceilândia foi fundada em 1971, sendo resultado do processo de erradicação de favelas do plano piloto de Brasília (CEI - Campanha e Erradicação de Invasões), expulsando da região central moradores em condição irregular do ponto de vista fundiário. Desde então, se firmou como pólo de lutas populares, concentrador de população carente e prestador de serviços para as regiões mais abastadas, em sua maioria consistindo de mulheres trabalhadoras no plano piloto e em regiões próximas.

Hoje, Ceilândia concentra o maior contingente de família inscritas no Bolsa Família no DF e conta com o comércio, serviços, transporte, administração pública e atividades técnicas profissionais como principais atividades econômicas, sendo a mais populosa região administrativa do Distrito Federal com 479.713 habitantes, segundo dados da CODEPLAN de 2016.

Ceilândia continua, no entanto, cheia de problemas e desatendida por políticas públicas. Dentre os mais graves, destaca-se a mobilidade baseada, principalmente, no transporte a pé e no uso do transporte coletivo. Além disso, a cidade vem sendo agredida pelo transporte motorizado individual - a quem é dada toda a prioridade nos governos - pela violência urbana, consequência do abandono das ruas e áreas públicas, e pela deficiência do saneamento ambiental decorrente de um processo urbanístico incompleto e carente de espaços adequados ao andar a pé.

Diante deste contexto, a organização Andar a Pé, tem como foco adequar a cidade a todos que utilizam a mobilidade a pé através do projeto Rotas do Andar - Comunidades. Dessa forma, o grupo espera beneficiar a numerosa população impactada pela deficiência no transporte ativo, tornando acessível e agradável rotas relevantes para os pedestres que se deslocam pela cidade.

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Para isso, o projeto conta com a participação da comunidade, já conhecida pela mobilização social ativa e com uma relevante história de luta comunitária, potencializando a participação popular no projeto. Além disso, o projeto também possui uma rede de instituições e atores sociais de referência na comunidade, parcerias imprescindíveis à proposição de ações e à sustentabilidade do projeto, como o Movimento por uma Ceilãndia Melhor - MOPOCEM, Centro Popular Paulo Freire, a Universidade de Brasília, o Instituto Federal de Brasília, o Projeto Ruas e a Casa do Cantador.

A principal tecnologia social do projeto é a realização de um Safari Urbano participativo executado em três rotas escolhidas com a comunidade para as intervenções urbanas. Trata-se de um método para o diagnóstico da situação urbana sob o ponto de vista do pedestre a partir da avaliação de 6 critérios: conectividade, acessibilidade, segurança, diversidade humana, atratividade e resiliência climática. A Andar a Pé tem executado a metodologia do Safari em diferentes espaços urbanos do Distrito Federal com o intuito de disseminar o olhar crítico sobre a realidade da mobilidade ativa e assim propor intervenções para a melhoria desses espaços.

Com a execução dos Safaris são disseminadas novas formas de enxergar a cidade e os aspectos relativos à mobilidade a pé. Os seus resultados e a construção coletiva de proposições de intervenções são as novidades que a Andar a Pé pretende introduzir na política pública, nos gestores e nos usuários dos espaços urbanos.

Como estratégia para validação e disseminação de resultados, o projeto prevê reuniões públicas para definição do projeto final, apresentação do projeto à comunidade e aos órgãos do poder executivo e legislativo, além de entrevistas coletivas e publicações nas mídias de comunicação e nas redes sociais. A Andar a Pé ainda irá monitorar os encaminhamentos em reuniões com tomadores de decisão e, por meio da criação de núcleo da Andar a Pé na Ceilândia, ficará encarregada de concretizar as propostas construídas coletivamente.

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Sobre Laura Gurgel